Revista Maisoffroad 4x4 | Ano 23 | Edição Nº 266 | Agosto 2026
decoradas com cores vibrantes, transformando-se nos fa- mosos “Jeepneys”, o principal transporte público do país. Amarca também é pioneira em conceitos revolucionários, como o inusitado protótipo Jeep Hurricane de 2005, que era equipado com dois motores V8 Hemi e um sistema de direção independente que permitia ao veículo andar lat- eralmente, como um caranguejo, ou girar 360 graus sobre o próprio eixo sem sair do lugar. A influência cultural da Jeep vai muito além das es- tradas e trilhas históricas, como a expedição liderada por Mark A. Smith em 1978, que cruzou o temido e quase intransponível Fosso de Darien na Colômbia em apenas 31 dias. A marca é uma verdadeira estrela da cultura pop, figurando em milhares filmes de Hollywood, incluindo papéis de destaque em blockbusters como Jurassic Park e Batman vs Superman. No mundo dos videogames, a Jeep já marcou presença em mais de 400 jogos, servindo de veículo até mesmo para o personagem Donkey Kong em Mario Kart DS. Tamanha é a força de sua identidade no Brasil que a Jeep conquistou um feito linguístico único, sendo a única fabricante de automóveis a se transformar em verbete de dicionário na língua portuguesa, com o ter- mo aportuguesado “jipe” definindo qualquer veículo util- itário voltado para terrenos acidentados. Uma história profundamente ligada ao Brasil A marca Jeep tem um capítulo especial no Brasil que teve início em 1947, quando as primeiras unidades do CJ-2A passaram a ser importadas e montadas em um galpão em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Fabri- cados em Toledo, Ohio, os carros chegavam ao porto do Rio semidesmontados e dentro de caixotes. Quase sempre pintados de “cinza-verde” (picket gray), os bravos modelos eram vendidos aqui em quatro opções de equipamentos: as versões A, B, C e D. Poucos anos depois, a Jeep iniciou a montagem do modelo CJ-3B, em São Bernardo do Campo/SP. A versão tinha grade frontal e capô mais altos que o antecessor militar, a fim de acomodar o novo motor de quatro cilin- dros Hurricane. Anos depois, em 1966, era inaugurada em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, a primeira fábrica da Jeep no Nordeste, então operada pela Willys-Overland do Brasil. A unidade representou um marco para a industrialização regional e para a história da marca no país, ao aproximar a produção dos veículos Jeep dos consumidores, trabalhadores e instituições do Norte e Nordeste. O maior emblema desse período foi o Jeep Chapéu de Couro. Atualmente, o espírito inovador da marca de 85 anos permanece vivo nas estradas e nas linhas de montagem, no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, e tam- bém na planta de Porto Real/RJ, produzindo veículos altamente tecnológicos que continuam a carregar essas heranças históricas. O consagrado Jeep Renegade e Novo Jeep Avenger, por exemplo, trazem em suas lanternas traseiras o icônico desenho em “X”, uma homenagem direta ao formato estampado nos galões de combustível que os soldados americanos carregavam na traseira dos primeiros utilitários na década de 1940. Celebrar os 85 anos da Jeep é reconhecer que cada curva de seus modelos atuais carrega o DNA de liber- dade, aventura e superação que começou a ser desenhado em uma prancheta de testes há quase um século. “A história da Jeep nasceu da necessidade de superar desafios e rapidamente passou a representar liberdade, aventura e capacidade de chegar aonde poucos conseg- uem. No Brasil, essa trajetória ganhou contornos própri- os: há quase oito décadas, a marca participa do desen- volvimento da indústria nacional, acompanha diferentes gerações e cria uma relação afetiva tão forte que o nome Jeep passou a fazer parte até do vocabulário dos brasile- iros. O Brasil não é apenas um mercado estratégico, mas um dos capítulos mais importantes da nossa história”, afirma Hugo Domingues, head da marca Jeep para a América do Sul.
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