Revista Maisoffroad 4x4 - Edição Nº 254 - Agosto 2025

T oda grande expedição começa com um plano. Em uma roda de conversa, a diretoria do Jipe Clube Brasília bateu o martelo: era hora de voltar ao Parque Nacional do Peruaçu/MG. Um lugar cuja fama corre o Brasil, mas que há tempos não via a marca dos pneus por perto. Pela distância (mais de 1.500 quilômetros, sendo quase a metade em estrada de chão) e pela quantidade de tesouros escondidos no caminho, o grupo sabia que um fim de semana não daria conta. Precisavam então de uma semana inteira, o que os jogou direto para as férias de julho. E assim nasceu a aventura: sete dias desbravan- do o sertão mineiro, com um cardápio completo para qualquer amante do fora de estrada. Teve de tudo: areia, pedras, costelas de vaca e travessias que testaram homens e máquinas. Mas a recompensa sempre vinha, seja em um oásis no meio do cerrado ou nas maravilhas do Peruaçu. O encontro foi de muita natureza com paredões com pinturas rupestres de 12 mil anos, grutas que parecem de outro mundo e a joia da coroa: o Janelão, um arco de pe- dra monumental que abriga a maior estalactite do mun- do, a “Perna de Bailarina”, com seus incríveis 28 metros registrados no Guinness Book, o livro dos recordes. O começo da aventura foi no domingo, dia 6 de julho. A ansiedade no ar era palpável. A caravana, formada por seis 4x4 e 13 expedicionários (incluindo quatro adoles- centes cheios de energia), deixou Brasília/DF em direção a Chapada Gaúcha/MG. Depois de um almoço rápido em Arinos/MG, a verdadeira diversão começou. Calibraram os pneus para baixo e caíram na terra. O primeiro destino foi o vilarejo de Igrejinha, anti- go portal dos jagunços. Ali, uma parada estratégica no Ribeirão Areia para um banho refrescante e aquela con- fraternização que só o Off Road proporciona. De alma lavada, aceleraram por estradas de areia até a famosa Vila da Serra das Araras. Lá, a natureza os presenteou com a Ponte Natural, um lugar onde o rio Pardo some por de- baixo de um imenso bloco de rocha. Com o dia chegando ao fim, o cansaço bateu, mas a felicidade pelas paisagens e desafios vencidos era muito maior. Um rali particular pelo Sertão ocorreu no segundo dia, o desafio era maior: 200 quilômetros de pura adren- alina até Montalvânia/MG. O percurso foi um verdadeiro rali particular pelos sertões de Minas, alternando trechos de areia fofa, que exigiam motor cheio, com retas que permitiam esticar a velocidade. Mesmo com o GPS offline guiando, a sensação de es- tar “perdido” no meio do nada era constante. Nesses mo- mentos, a sabedoria local era a melhor bússola. A respos- ta dos poucos moradores que encontravam era sempre a mesma: “Pode seguir em frente, qualquer caminho aí leva pra cidade!”. Depois de cinco horas cortando pais- Expedição do Jipe Clube Brasília no Coração do Brasil

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