Jeep Willys e Rural: Equipe Jaraguá Off-Road faz aventura extrema na Argentina e Chile

maio 12, 2016 2:14 pm

23-05 (6)ok

Diário da Expedição Terra, Areia e Sal 2015 – Jaraguá Off-Road
Triangulo jaragua off road1º dia – 16/05/2015 : Saímos as 8:00 da Padaria Nova Freixiel Freixiel onde amigos da Jaraguá Off-road ,que nessa expedição não puderam vir, nos esperavam para uma despedida. Foram 830 km até a cidade de Campina da Lagoa onde fomos recebidos pelos pais do Kleber Madeira. A hospitalidade da família dele foi incrível com um churrasco a nossa espera. Nos sentimos em casa, e com toda família reunida, muitas risadas saíram a mesa. A criançada ficou alucinada se divertindo nos carros. A viagem até aqui foi tranqüila, os carros se comportaram muito bem e fizemos esse trajeto em 12 horas. Com 4 caras na rural muita história foi contada e tenho certeza que mais uma vez não vamos precisar do rádio para passar o tempo de estrada…rs Amanhã acordamos cedo e já entramos na Argentina, porém essa nova etapa fica pro próximo diário…boa viagem

24-052º dia – 17/05 : Por mais que o churrasco de ontem tenha durado pelo menos até às 24:00, não dormimos muito e já levantamos às 5:30 para seguir viagem. Deixando mais um pouco de saudade de pessoas tão legais que nos acolheram, seguimos em direção à Foz do Iguaçu e fronteira com a Argentina. O frio na barriga na Aduana deixou gago nosso já “fluente” portunhol…rs é fato que ver dois carros dessa idade e com tanta coisa na bagagem gera curiosidade e apreensão e dessa forma o Jeep do Serginho que foi esvaziado e até uma mala foi parar no raio X.

Na rural do Fernando, quase o avião (aero-modelo) tem que ficar, ” cadê a nota fiscal” disse o boludo da fronteira que em seguida liberou a gente é o avião…rs Agora começa uma fase diferente por ser a primeira vez que nossa expedição sai do país e dificuldades como língua e comida começam a aparecer… A rodagem de hoje é uma das mais longas com 900km até Resistência. Durante a tarde tivemos uma boa dose de história nas Ruínas Jesuítas de San Ignacio, um lugar incrível e de volta a estrada já fomos parados 3 vezes pela polícia e em uma delas só pros guardas “conhecerem” o Jeep. Chegamos ao nosso destino as 24:00 completando assim 16 horas de viagem exaustos e sabendo que amanhã não será diferente…Vamos seguindo…20-05 (3)

27-05 (2)3º dia – 18/05 : Fechamos o terceiro dia com 2500 km no total rodados, e desde ontem em solo Argentino, cruzamos 5 estados e chegamos as 23:30 na cidade de Salta. Uma volta por ela mostrou o quando essa cidade é grande e charmosa pela arquitetura antiga.

Estamos no extremo noroeste do país e já próximos da fronteira com o Chile. A rodagem de 813 km de hoje, além de cansativa, trouxe alguns fatos curiosos. Atravessamos incríveis 600 km de estrada reta que tiravam nossa visão de horizonte. Simplesmente não haviam curvas e quando raramente surgiam, tinham um grau muito pequeno. A estrada revelava pequenos vilarejos com aparência de esquecidos, com quase ninguém na rua e com muita coisa abandonada. A estrada alternava trechos muito bem conservados e locais que o asfalto desaparecia.

Obras quase paradas de duplicação estavam espalhadas em diversos trechos ao longo do percurso. Outro fato é que saímos de São Paulo sem luz de freio na Rural e naquela de “daqui a pouco a gente arruma”. O fato é que só conseguimos instalar 2500 km depois é só porque uma autopeça surgiu na nossa frente… Nosso portunhol melhorou bem e as pessoas já nos entendem. Quando nos afastamos da região de fronteira o castelhano fica mais rápido e regionalizado o que torna a comunicação, com o pouco que sabemos, uma experiência de sobrevivência…rs No resumo de hoje, estamos felizes , cansados e ansiosos…o Atacama já está logo ali….

22-054º dia – 19/05 : Ainda sobre ontem, quando chegamos no quarto do hotel eu e o Serginho falávamos sobre o planejamento de hoje e às 3:00 am decidimos que ainda dormiríamos em solo Argentino. A questão eram os 560km que nos separavam de San Pedro do Atacama. Cruzando a fronteira não teríamos mais nenhum apoio e no máximo vilarejos que poderiam não ter local para dormirmos se necessário. Tivemos que atrasar nossa entrada no Chile até para tratar do cansaço dos últimos 3 dias e poder curtir o caminho. Foi a melhor coisa que fizemos, afinal entramos na Cordilheira dos Andes a partir da cidade Jujuy e ficamos extasiados com tamanha beleza.

A grandeza e a energia desse lugar são diferentes de tudo que já pude ver. Foram 70 km de estradas íngremes com curvas de 180 graus que serpenteavam pela encosta desértica. Após atingirmos 4170m de altitude a 10,3 graus de temperatura, o fim da tarde ainda reservava o incrível salar Salina Grande a caminho de Susques. Chegamos no hotel as 21:00 na altitude de 3500m e durante a noite vimos a temperatura despencando. A altitude anda causando diversos reflexos como tontura e dor de cabeça em todos nós. A vida nos Andes exige um extremo respeito à natureza, tanto que o símbolo dessa crença para a cultura local, é a Mãe Terra. É uma mulher pobre, em amamentação e com dificuldades mas que nunca deixa os seus filhos desamparados. Esse é o melhor valor de vida nesse pedaço da Cordilheira dos Andes.

21-05 (3)5º dia – 20/05 : Anteontem não consegui postar o diário de bordo por falta de internet mas resolvi ontem a noite. Susques é o penúltimo vilarejo argentino antes da fronteira com o Chile e está no meio da cordilheira. Quando escrevi o final do diário de ontem eu tinha uma visão de espectador sobre a vida nos Andes e ontem pudemos sentir de fato a experiência. Durante a noite enquanto curtíamos a queda da temperatura todos começamos a sentir efeitos mais sérios da altitude e do frio. Chegamos a -12 graus de madrugada e eu não dormi a noite toda com fortes dores de cabeça e sensação de falta de ar. Quando o relógio despertou, todos relataram a sintomas parecidos e dificuldade em dormir.

A maior surpresa na fria manhã de -1 grau ainda estava lá fora com os carros. A água dos radiadores e bombas d’água congelaram durante a noite e os carros tinham dificuldade pra funcionar. Foram necessárias 2:30 de muito trabalho e criatividade a 3800m de altitude, com o ar frio e rarefeito, pra fazer o gelo derreter por completo. Saímos assim que sentimos segurança e continuamos a travessia da cordilheira. Passamos por pequenos salares, lagunas com espelhos d’água, riachos congelados além de grandes picos de neve eterna. O único porém é que nossos sintomas de altitude não tinham passado e começaram a piorar.

Chegamos a um ponto ainda mais alto de 4819m de altitude durante a tarde e sofremos o dia inteiro até chegar as 18:00 em San Pedro do Atacama a 2800 m, o que foi um alívio mesmo sabendo que estamos ainda bem alto. O dia inteiro passou e chegamos em 8:30 hrs percorrendo 298km, um trajeto pequeno comparado com os últimos dias. Foi difícil, sofremos e vimos o sofrimento até dos carros mas o tempo inteiro estivemos cercados por uma beleza incomparável e com a certeza que conseguiríamos chegar em segurança. É essa crença que mantém nos Andes os filhos da Mãe Terra. Agora vamos nos recuperar do cansaço e comemorar o aniversário do grande expedicionário Sérgio Bruno Andrade Gonçalves que hoje completa 18 anos… E amanhã conhecer o Atacama de verdade…

19-05 (7)
6º dia – 22/05 : Ter um dia sem hora pra acordar era algo que não tivemos nos últimos 6 dias e ontem enfim conseguimos descansar. Agora já aclimatados com a altitude, não nos sentimos mal e saímos do hotel as 11:00 para conhecer o Salar do Atacama. Passamos primeiro na Laguna Tebinquiche onde tínhamos o relflexo das montanhas na água no meio do salar. Daria pra ficar horas admirando tamanha beleza. O Fernando pode enfim colocar o avião pra voar e instalamos uma gopro pra algumas cenas aéreas. Na saída fomos barrados pela segurança sob a restrição em fazer imagens aéreas e por isso tínhamos que pagar $ 40.000 pesos chilenos (R$ 198,00).

21-05 (4)Nosso castelhano nunca funcionou tão bem para arrumar um jeito de não pagar essa multa e no final, muito mais pela insistência do que pelo argumento, fomos liberados. Em seguida seguimos para outra laguna habitada por flamingos. Disseram que eles estariam lá no fim da tarde e chegamos para o por do sol. Eles realmente vieram e as fotos ficaram incríveis. Voltamos pro hotel as 20:00 e curtimos um pouco a vila. Pois é, hoje o dia foi para turistar mesmo. Sem perrengues, dormindo bem e se preparando o que vem pela frente…acompanhe a gente nessa viagem…até amanhã…

26-05 (2)
20-05 (4)7º dia – 22/05 : Tínhamos que acordar às 3:30 am para visitar os Geisers Del Tatio. Foram 90 km que separavam San Pedro do Atacama de uma maravilha da natureza porém que cobraria seu preço. Dormimos somente 2 horas antes de acordar pro passeio com 7 graus de temperatura e no caminho subimos para 4000 m de altitude. De fato estamos mais aclimatados com a altitude, porém o que encontramos foi extremo. Durante a subida chegamos a -5 graus. Os carros não tem isolamento térmico e nós o costume com essa temperatura. Por mais estivéssemos agasalhados o frio era intenso e quando chegamos, ainda escuro, pisei em uma poça de água e molhei as duas botas. Fui gravar e fotografar e me separei dos outros e 40 min depois comecei a não sentir meus dedos. Minhas botas estavam congelando e quando me encontrei com eles, todos sofriam com o frio e a sensação térmica muito abaixo do que marcava o termômetro.

Corremos para ir embora e pra piorar entrei em estado hipotérmico. Já no hotel fiquei com temperatura corporal de 35,8 graus e acabou o dia pra mim. Sairíamos a tarde mas deixamos de lado também é todos descansaram. O Ronaldo me ajudou com uma sessão de acupuntura com moxa e minha temperatura começou a subir e eu a melhorar de ânimo. Não sai mais do hotel e no fim da tarde todos ficaram no quarto que eu estou me fazendo companhia e até a janta foi trazida em marmitex pro hotel.

Pra galera curtir a vila e as compras foi o melhor programa a tarde. Pois é, uma boa história é feita de capítulos bons e ruins e de todos é possível se aprender. Reconhecer o que se tem a seu favor e agir em função dos seus valores pode tornar qualquer que seja a experiência em algo efetivamente bom. Eu reconheço que tenho vontade de fazer bem o que me proponho e que não desistiria por nenhum desafio. E o mais importante é que reconheço que temos uma equipe formada essencialmente de amigos, que cuidam, curtem e que não deixam ninguém para traz. Somos a Jaraguá Off-road na Expedição Terra Areia e Sal.

19-05

8º e 9º dia – 23 e 24/05 : Saímos de San Pedro do Atacama após o café da manhã sentido Antofagasta no litoral do Chile. Chegamos a ” la mano del desierto” cruzando 360 km com uma paisagem montanhosa de cor marrom essencialmente de areia e pedra. Era um marco para nossa expedição essa escultura e em seguida, depois de dias, estávamos ao nível do mar. Uma euforia tomou conta de todos quando vimos o Oceano Pacífico. A surpresa desse dia foi o início do problema no câmbio do Jeep do Serginho que de repente perdeu a 3º e 4º marchas. O diagnóstico não era bom e teríamos que baixar e abrir o câmbio, porém era sábado 18:00 e domingo nada estaria aberto para procurar peças. Mais uma diária de hotel seria necessária e mesmo assim nada estaria garantido.

23-05 (3)O fato é que achar peças de um câmbio brasileiro antigo no Chile seria praticamente impossível. Fizemos da garagem do hotel uma oficina e até uma bancada de carpintaria serviu a desmontagem. No sábado o câmbio estava em pedaços na bancada e a ideia de uma solda na luva com o entalhado se tornou viável pela falta de peças. O desafio então era achar quem soldasse no domingo . Durante o café no mercado municipal achamos um garçom brasileiro de Rondônia que sugeriu um amigo que poderia nos ajudar porém somente a tarde. Era uma esperança e já que ainda eram 11:00, decidimos conhecer a praia.

E como o mundo é uma caixinha de surpresas, encontramos em pleno domingo um soldador concertando um portão na calçada. O argumento de cinco caras cercando e um já indo buscar a peça foi irrecusável e ele topou fazer a solda em cima de um engradado de coca-cola. Peça consertada o resto do dia foi curtição na praia e uma noite de trabalho pra colocar o câmbio no lugar e zerar o Jeep. Hoje é testar e torcer pra estar tudo bem, afinal começamos a subida pra Bolívia a 5000 m acima de nós…

28-05

10º e 11º – 25 e 26/05 : Enfim deixamos Antofagasta sentido Calama, uma cidade de mineradores, onde passaríamos mais uma noite. Trajeto tranquilo e o câmbio do Jeep funcionou muito bem. A pernoite em Calama era estratégica para aclimatação a 2500m, pra no dia seguinte subirmos pra a Bolívia. O tempo começou a virar durante a tarde com vento e nuvens carregadas. Assim que chegamos fechamos um hotel barato, que reparamos depois, ficava atrás de uma linha férrea de carga e pelos menos 5 trens passaram durante a madrugada. Acordamos cedo, seguimos viagem com média de 7 graus de temperatura e pra nossa surpresa, pelo mal tempo de ontem, havia nevado nas montanhas a caminho da fronteira. Tivemos a sorte de ver as cordilheiras brancas com a neve e uma beleza única. Na fronteira, uma canseira na imigração boliviana tirou nossa paciência e nos atrasou por quase 2 horas. Parece que entramos em um mundo paralelo na fronteira da Bolívia, tudo é uma desordem, cheira mal e é pouca a boa vontade das pessoas por aqui até agora. Foi nesse ambiente que pegamos uma rota diferente da planejada para Uyuni.

A navegação é feita por mapas e por estradas de terra porque não há GPS na Bolívia. A altitude e o frio voltaram a castigar principalmente os carros dessa vez. Nós levamos em garrafas térmicas água quente pra fazer o chá de chachacoma, uma erva que ajuda nos sintomas da altitude. Já para os carros não houve muito o que fazer e ambos tiveram problemas com a temperatura dos radiadores por congelamento.

26-05 (6)Paramos em uma laguna na estrada para encher galões de água e tivemos um susto na saída. A manga de eixo do Jeep do Serginho quebrou e a roda dianteira direita entortou e ameaçava cair. Estávamos no fim da tarde com mais 1 hora de luz somente, com 5 graus e muito vento. Um clima tenso tomou conta de todos e pela primeira vez estávamos correndo risco, afinal estava frio, anoitecendo e nós no meio da cordilheira isolados. Com essa motivação extra o conserto foi feito em tempo recorde e continuamos a viagem noite a dentro. Com toda essa carga extra de emoção, 400 km de estrada, um dia inteiro congelante e quase 11 horas de viagem, não conseguimos chegar até Uyuni e ficamos a 100 km do destino inicial. Exaustos, por hoje ficamos em San Cristobal, um vilarejo de mineiros ao sul do salar.

23-05 (4)

12º e 13º dia – 27 e 28/05 : Logo cedo, na manhã de 27/05, acordamos com -5 graus e novamente com tudo estava congelado no vilarejo de San Cristobal. Dessa vez com mais prática, conseguimos derreter o gelo dos carros deixar tudo em ordem em menos tempo que em Susques (ARG). Chegamos em Uyuni por volta das 12:30 e logo buscamos um hotel e tentamos a primeira vez chegar ao salar. O novo congelamento do radiador da Rural, na noite anterior, fez agravar o problema de temperatura e preferimos abortar a visita ao salar durante a tarde para consertar de vez o carro e conhecer melhor a cidade. Deixamos para dia 28/05 pela manhã a visita ao salar que enfim marca o ponto máximo da nossa expedição. Mais um vôo do avião do Fernando garantiu imagens aéreas de todos nós naquela imensidão branca.

O salar de Uyuni é o maior do mundo e é simplesmente fascinante. Outro detalhe é que a cidade recebe o Rally Dakar, evento mundialmente conhecido fazendo Uyuni crescer em função dele. A partir de agora iniciamos o retorno pra casa cruzando a Bolívia sentido leste. Após deixarmos o salar seguimos mais 400km para Sucre por uma paisagem desértica montanhosa com incríveis formações geológicas e imensas planícies com rebanhos de lhamas. Passaremos a noite aqui em Sucre e amanhã seguiremos para Santa Cruz de La Sierra em mais um dia de rodagem longa.

27-05

18-0514º e 15º dia – 29 e 30/05 : O dia não poderia ter começado melhor, hotel confortável e um café da manhã muito bom pra um dia de 400 km de viagem. Aparentemente essa distância era tranqüila para os padrões que enfrentamos anteriormente, não fosse que viajamos por 14 horas até chegar em Santa Cruz de La Sierra. Sem dúvida o pior dia de rodagem que já pegamos com mais de 200 km de estrada de terra sem sinalização em meio de montanhas, penhascos, trânsito de caminhões e ainda tendo que pagar pedágio pela utilização. Mesmo quando chegamos ao asfalto, em diversos trechos, ele simplesmente desaparecia dando lugar para imensos buracos com pedra e terra. Para se ter uma ideia, nossa média de velocidade foi de 28 km/h. Mas mesmo diante disso, foram 5 pedágios, 4 paradas para verificação de documentação, 1 de propina pedida como “colaboração para a polícia Boliviana” e 1 roubo de $200,00 bolivianos em multa (R$ 100,00) sob alegação que não tínhamos um dos seis carimbos na nossa autorização para rodar no país.

O detalhe é que a multa podia ser paga diretamente para o policial. Gastamos em pedágio e “contribuições”o que gastaríamos cruzando uma rodovia de São Paulo. Chegamos já a noite em Santa Cruz exaustos e entramos no primeiro hotel que vimos no centro da cidade sendo completamente oposto ao do dia anterior. Depois de uma noite mal dormida, seguimos para os últimos 660km em solo boliviano sentido Corumbá, aliviados por chegar ao Brasil. Posso falar por mim sobre a felicidade de estar chegando em casa, da saudade que trago na bagagem e de tudo que aprendi por esses países que passamos. Temos muitos problemas em nosso país e sei que não podemos nivelar por baixo, mas temos que valorizar o que temos, respeitar o que é diferente e mudar pra melhor o que está errado sobre a ótica da educação e do conhecimento. Sofrer tamanho desrespeito em um país tido como irmão é inadmissível. Pra nossa surpresa chegamos à noite na fronteira e a aduana boliviana estava fechada. Vamos descansar dos últimos 2 dias em Puerto Quijarro olhando para o Brasil e seguiremos amanhã para Campo Grande. De todo resto, as fotos são do caminho para Santa Cruz e Corumbá. A natureza não tem culpa de onde está e é sempre fascinante.

28-05

Nos últimos dias… : Após nossa entrada no Brasil, um clima de alívio tomou conta da gente. Seguíamos agora para Campo Grande onde a família de um amigo antigo nos aguardava. Fomos muito bem recebidos e não jantávamos o bom e velho arroz e feijão a 14 dias. Tínhamos histórias de sobra pra contar e ficamos 2 dias com eles aproveitando a companhia e para as manutenções rotineiras nos carros em virtude da longa rodagem. Vale lembrar da Helena filha do casal que era uma princesinha de 3 anos, alegria da casa.

Seguimos viagem na terça-feira 2/06 para Jardim e Bonito. Ficamos no Hotel Estância, mesmo local da Expedição Transpantaneira em 2009 ( eu não estava nessa…rs ). A equipe do hotel super simpática mereceu o reconhecimento da antiga expedição e ganhou um quadro com a foto da turma toda. Esse ano repetimos a foto e ganhamos um abraço cheio de carinho de boa viagem de volta da Dona Ivete.

O pantanal é incrível e exótico, vimos jacarés em rios na beira de estrada, araras e tucanos voando ou em árvores durante o caminho. A flutuação no rio Olho d’Água e o mergulho de cilindro na Lagoa Misteriosa, ambos na Fazenda Rio da Prata, foram mais que suficientes pra fechar com chave de ouro nossa passagem pelo Mato Grosso do Sul. Iniciamos o retorno pra casa na tarde de quinta-feira 4/06, nos últimos 1200 km e chegaremos dia 5/06 a noite.

No total foram 8400 km por 5 países, variação de altitude entre o nível do mar a 4819 m acima dele, variação de temperaturas de -12 a 27 graus, 1800 litros de gasolina em média por carro foram consumidos, 132 horas de deslocamento real dentro dos carros e muita história pra contar em 20 dias de convivência entre amigos. Viajar além de curtir o destino é curtir a experiência do caminho. A boa viagem é sempre interior primeiro e depois exterior. Aprender a sentir, ouvir, ver e conhecer o que está a nossa volta, fazem parte dessa experiência. Pra cada um de nós essa viagem teve um valor diferente, mas tenho certeza que em comum a todos é a felicidade pelo sucesso da nossa Expedição Terra Areia e Sal. Obrigado a todos que mesmo longe estavam com a gente em pensamento aqui no carro, seja acompanhando o diário, curtindo as fotos, os vídeos ou mandando boas energias. Vocês fizeram parte disso tudo. Um grande abraço e até a próxima…

26-05 (4)

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2 Comentários

  • Olá, estou pensando em encarar uma trip de rural até ushuaia, 12,000km ida e volta. Me diga uma coisa, esses carros ai, motor original ??

    • Sergio Bruno De Andrade Gonçalves Gonçalves

      -Jeep Wilys 1956.
      – Adaptado para trilha e expedições.
      – Veículo estendido em 50cm de chassis e carroceria, para maior estabilidade.
      – Adaptação de suspensão para aumentar altura do chassi, podendo enfrentar terrenos com os mais variados desníveis.
      – Pneus de grande porte
      – Tanque de combustível de 100L, galão de combustível extra de 20L, com autonomia média de 800 km.
      – Motor GM 4.1 S
      – Tração 4×4
      – Bloqueio no eixo traseiro.
      – Guincho dianteiro 12.000 LBS e guincho traseiro 4.000 LBS.

      – Ford Rural 1972.

      Adaptado para trilhas e expedições.
      – Adaptação de suspensão para aumentar altura do chassi, podendo enfrentar terrenos com os mais variados desníveis.
      – Pneus de grande porte
      – Tanque de combustível de 110L com autonomia média de 700 km.
      – Motor GM 4.1
      – Tração 4×4
      – Bloqueio no eixo traseiro e bloqueio no eixo dianteiro.
      – Guincho dianteiro 12.000 LBS.

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